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Semana Mundial do Glaucoma: quem deve fazer rastreio e quando
Sem dor e sem sintomas, o glaucoma rouba visão durante anos sem ser notado. Um guia prático sobre quem tem risco acrescido e que exames fazer, e a partir de que idade.

Esta semana assinala-se em todo o mundo a Semana do Glaucoma, e o lema que a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia costuma usar resume bem o problema: sem dor, sem sintomas — não arrisque perder a sua visão.
Porque é preciso rastrear uma doença que não se sente
O glaucoma lesa progressivamente o nervo ótico, quase sempre por pressão elevada dentro do olho. As fibras danificadas não regeneram: a visão perdida é perdida para sempre.
O que o torna perigoso é a forma como avança. Começa pela visão periférica, e como cada olho cobre o campo que falta ao outro, o cérebro preenche as lacunas. A pessoa continua a ler, a conduzir, a trabalhar. Não sente nada.
Quando a perda chega à visão central, já se foi uma parte muito significativa do campo visual. É por isso que o rastreio não pode depender de sintomas — depende do calendário.
Quem deve rastrear e a partir de quando
Todos, a partir dos 40 anos, com avaliação anual que inclua medição da pressão intraocular.
Antes dos 40, e com maior frequência, quem tiver:
- Familiares diretos com glaucoma — pai, mãe ou irmãos. É dos fatores de risco mais fortes.
- Pressão intraocular já detetada como elevada
- Miopia elevada, associada a maior risco de glaucoma de ângulo aberto
- Hipermetropia elevada, associada ao glaucoma de ângulo fechado
- Diabetes
- Uso prolongado de corticoides, em qualquer forma — comprimidos, inaladores, cremes ou colírios
- Traumatismo ocular anterior
- Ascendência africana, com risco mais elevado e aparecimento mais precoce
- Tensão arterial muito baixa ou episódios de má perfusão
Os três exames
O rastreio assenta em três pilares que se complementam:
Pressão intraocular. Rápido e indolor. É o principal fator de risco e o único sobre o qual se consegue atuar. Mas atenção: um valor normal não exclui glaucoma — existe glaucoma de pressão normal.
Observação do nervo ótico. Permite ver diretamente se há sinais de lesão. É o que dá o diagnóstico, e é competência médica.
Campo visual. Mede toda a área que consegue ver sem mover os olhos, e revela as falhas periféricas típicas antes de a pessoa dar por elas. É também o exame que permite seguir a evolução ao longo do tempo.
Nenhum destes chega sozinho. É o cruzamento dos três que dá a resposta.
O caso especial do ângulo fechado
Há uma forma de glaucoma que se comporta ao contrário de tudo o que foi dito: o glaucoma agudo de ângulo fechado.
Nesse caso, a drenagem bloqueia subitamente e a pressão dispara em horas. Os sintomas são intensos e inequívocos:
- Dor ocular forte
- Vermelhidão marcada
- Visão muito turva, com halos à volta das luzes
- Náuseas e vómitos
- Dor de cabeça
É uma urgência oftalmológica. Perante este quadro, dirija-se a um serviço de urgência no imediato — cada hora conta.
O que se ganha em detetar cedo
O glaucoma não tem cura, mas é controlável. O tratamento — colírios, laser ou cirurgia — baixa a pressão intraocular e trava a progressão.
Uma pessoa diagnosticada cedo e tratada de forma consistente tem grande probabilidade de manter visão útil durante toda a vida. Uma pessoa diagnosticada tarde já parte de um campo visual reduzido, e a partir daí só é possível evitar que piore.
A diferença entre os dois cenários é, muitas vezes, um exame de rotina feito a tempo.
Onde nos encaixamos
O diagnóstico de glaucoma é médico. O que fazemos numa ótica é medir a pressão intraocular, realizar campos visuais, acompanhar a evolução ao longo dos anos e encaminhar para oftalmologia sempre que os valores ou os resultados o justificam.
Na prática, é frequente sermos o sítio onde alguém descobre pela primeira vez que tem pressão alta — sem nunca ter sentido nada, e sem qualquer queixa.
Na Medical Óptica fazemos medição de tensão ocular e campos visuais. Se tem mais de 40 anos, ou se há glaucoma na sua família, aproveite esta semana para marcar.
Perguntas frequentes
A partir de que idade se deve rastrear o glaucoma?
A recomendação geral é começar aos 40 anos, com avaliação anual que inclua medição da pressão intraocular. Quem tem familiares diretos com glaucoma, diabetes, miopia elevada ou fez uso prolongado de corticoides deve começar mais cedo e repetir com maior frequência.
Ter um familiar com glaucoma aumenta muito o meu risco?
Aumenta de forma significativa. Ter um familiar direto — pai, mãe ou irmão — com glaucoma é dos fatores de risco mais fortes que existem, e justifica começar a vigiar antes dos 40. Se há glaucoma na sua família, informe sempre quem lhe faz a avaliação visual.
Que exames são precisos para detetar glaucoma?
O rastreio assenta em três pilares: medição da pressão intraocular, observação do nervo ótico e teste do campo visual. Nenhum isolado é suficiente — há glaucoma com pressão normal e há pressão alta sem glaucoma. O diagnóstico é sempre feito por um oftalmologista, cruzando os três.


