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Lentes de contacto pela primeira vez: o que esperar

Desde a consulta de adaptação até aos primeiros dias de uso. Como se escolhe o tipo de lente, quanto tempo demora a aprender a colocar e que cuidados não se podem falhar.

Medical Óptica4 min de leitura
Lente de contacto na ponta do dedo indicador, vista de perto

Decidir passar dos óculos para as lentes de contacto levanta sempre as mesmas dúvidas. Vamos por partes, na ordem em que as coisas acontecem.

Não se compram, adaptam-se

É a primeira coisa a perceber. Uma lente de contacto assenta diretamente sobre a córnea e a graduação dos óculos não se transfere diretamente — muda com a distância a que a lente fica do olho.

Além disso, é preciso avaliar se os seus olhos são adequados: a curvatura da córnea, a qualidade e quantidade de lágrima, o estado da superfície ocular e da pálpebra. Nem toda a gente é boa candidata, e é melhor saber antes.

Por isso existe a consulta de adaptação. Não é burocracia — é ela que evita a maior parte dos problemas.

Como se escolhe o tipo

Diárias descartáveis. Coloca-se de manhã, deita-se fora à noite. São as mais higiénicas, as que menos complicações dão e as ideais para quem usa poucas vezes por semana ou está a começar. Não exigem produtos de limpeza.

Quinzenais ou mensais. Mais económicas para uso diário, mas exigem rotina de limpeza e desinfeção todas as noites. Boa opção para quem usa todos os dias.

Tóricas, para astigmatismo. Têm um desenho que as mantém orientadas no eixo certo.

Multifocais, para quem já tem presbiopia e quer ver ao perto e ao longe.

Rígidas permeáveis, para casos específicos — astigmatismos elevados, córneas irregulares, queratocone. Dão qualidade óptica superior mas exigem mais adaptação.

A escolha depende do que se usa, quantas horas por dia, quantos dias por semana, do orçamento e do estado do filme lagrimal.

Aprender a colocar

É a parte que assusta e a que se resolve mais depressa.

Na consulta ensinamos e praticamos até conseguir sozinho. A maioria das pessoas consegue em quinze a trinta minutos. A dificuldade quase nunca é técnica — é o reflexo natural de fechar o olho quando algo se aproxima. Passa com repetição.

O essencial:

  1. Lavar e secar bem as mãos, sempre e sem exceção
  2. Verificar se a lente não está invertida — vista de lado, a borda deve subir a direito, não virar para fora
  3. Segurar a pálpebra superior com uma mão e baixar a inferior com o dedo médio
  4. Colocar a lente sobre a córnea, olhando em frente
  5. Largar devagar as pálpebras e pestanejar

Ao fim de uma semana está automático.

Os primeiros dias

É normal:

  • Sentir a lente nas primeiras horas
  • Lacrimejar um pouco ao início
  • Notar visão ligeiramente diferente da dos óculos, sobretudo em astigmatismo

Não é normal, e deve fazer parar:

  • Dor, e não apenas desconforto
  • Vermelhidão que não passa
  • Visão turva com a lente colocada
  • Sensibilidade acentuada à luz

Começa-se por poucas horas e aumenta-se progressivamente, conforme indicado na consulta.

As regras que não se negoceiam

  • Mãos lavadas e secas, sempre
  • Nunca água — nem para lavar as lentes, nem no estojo, nem na cara com as lentes postas
  • Nunca dormir com lentes convencionais
  • Nunca nadar com lentes postas, no mar, na piscina ou no rio
  • Respeitar o prazo: uma mensal é mensal desde que se abre, mesmo que só a use ao fim de semana
  • Trocar o estojo a cada um a três meses
  • Solução nova todos os dias, nunca reaproveitar nem completar a antiga
  • Retirar as lentes antes de aplicar produtos de beleza ou spray de cabelo

Quase todas as complicações graves com lentes de contacto resultam de falhar uma destas regras — normalmente contacto com água ou dormir com elas postas.

Continuar a ter óculos

Não é opcional. Precisa sempre de um par de óculos atualizado para os dias em que tem o olho irritado, para uma conjuntivite, para tirar as lentes ao fim do dia. Quem não tem alternativa acaba por usar as lentes quando não devia.

O acompanhamento

Depois da adaptação, há revisões. Servem para confirmar que a córnea está saudável, que a lente continua a assentar bem e que a graduação se mantém adequada.

Muita gente deixa de ir quando "está tudo bem" — e é precisamente aí que se apanham alterações silenciosas.

Na Medical Óptica fazemos adaptação de lentes de contacto, ensinamos a colocar e acompanhamos ao longo do tempo. Se está a pensar experimentar, marque uma consulta e vemos se é boa candidata.

Perguntas frequentes

Custa a aprender a colocar lentes de contacto?

A maior parte das pessoas aprende na própria consulta de adaptação, em quinze a trinta minutos. A dificuldade é quase sempre psicológica — o reflexo de fechar o olho quando algo se aproxima. Ao fim de uma semana, a colocação passa a demorar segundos e deixa de exigir atenção.

As lentes de contacto podem perder-se atrás do olho?

Não, é anatomicamente impossível. A conjuntiva reveste a parte interior das pálpebras e liga-se ao globo ocular, formando uma barreira fechada. Uma lente pode deslocar-se para cima ou para o lado e ficar desconfortável, mas não passa para trás do olho.

Posso dormir com as lentes postas?

Não, exceto em lentes especificamente aprovadas para uso prolongado ou em ortoqueratologia, que são desenhadas para isso. Dormir com lentes convencionais reduz muito o oxigénio que chega à córnea e aumenta significativamente o risco de infeção.

Cuide da sua saúde ocular

Uma avaliação visual completa é o primeiro passo para detetar alterações antes de darem sintomas. Marque a sua consulta.