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Presbiopia: porque é que os braços ficam curtos aos 45

Afastar o telemóvel para ler acontece a toda a gente a partir de certa idade. Explicamos o que muda dentro do olho, porque não se pode evitar e que soluções existem.

Medical Óptica4 min de leitura
Pessoa a afastar um telemóvel do rosto para conseguir ler o ecrã

Chega uma altura em que se começa a afastar o telemóvel para ler as mensagens. E depois o menu do restaurante. E depois já não há braço que chegue.

Chama-se presbiopia, acontece a toda a gente e costuma dar-se por ela entre os 40 e os 45 anos.

O que muda dentro do olho

Dentro do olho existe uma lente natural, o cristalino, que muda de forma para focar a diferentes distâncias. Para ver ao perto, um músculo contrai-se e o cristalino torna-se mais curvo, aumentando o poder de focagem.

Este processo chama-se acomodação e depende de o cristalino ser flexível.

Ao longo da vida, o cristalino vai perdendo elasticidade — é um processo contínuo que começa cedo, mas só dá sintomas quando a capacidade restante deixa de chegar para a distância de leitura. E isso acontece, tipicamente, a meio dos 40.

Não é doença. Não é desgaste por ter forçado a vista. É biologia.

Os sinais

  • Afastar o texto para conseguir ler
  • Dificuldade a ler com pouca luz, mesmo que de dia consiga
  • Cansaço ou dores de cabeça depois de ler ou trabalhar ao perto
  • Vista que embacia ao mudar de perto para longe, e demora a acertar
  • Ler bem de manhã e mal ao fim do dia
  • Precisar de mais luz do que antes para as mesmas tarefas

Um pormenor curioso: quem é míope repara mais tarde, porque tem uma vantagem natural ao perto — basta tirar os óculos para ler. Quem é hipermétrope repara mais cedo, porque já vinha a compensar com esforço.

Porque piora durante alguns anos

A presbiopia progride ao longo de cerca de duas décadas e depois estabiliza, tipicamente por volta dos 60 a 65 anos, quando a capacidade de acomodação está praticamente esgotada.

Por isso é normal precisar de aumentar a graduação de leitura a cada dois ou três anos durante esse período. Não é sinal de que os óculos estragaram a vista — é o processo natural a seguir o seu curso.

As opções

Óculos de leitura, para quem só precisa de correção ao perto e vê bem ao longe. Simples e eficaz. Usam-se para ler e tiram-se a seguir.

Lentes progressivas, para quem já usa correção ao longe. Permitem ver a todas as distâncias com um só par, sem linha visível. Exigem uma a duas semanas de adaptação.

Lentes ocupacionais, desenhadas para privilegiar as distâncias intermédia e próxima. São a melhor opção para quem passa o dia ao computador, porque dão um campo intermédio muito mais amplo do que umas progressivas. Não servem para conduzir.

Bifocais, ainda usadas em alguns casos, com uma linha visível a separar as duas zonas.

Lentes de contacto multifocais, para quem prefere não usar óculos.

Monovisão, em que se corrige um olho para longe e outro para perto, com lentes de contacto. Funciona bem em algumas pessoas e nada em outras — depende muito da tolerância individual.

Cirurgia, com opções que passam pela substituição do cristalino por uma lente intraocular multifocal. É uma decisão médica e não serve a toda a gente.

Cuidado com os óculos de farmácia

Resolvem numa emergência e são convenientes. Mas convém saber o que se está a comprar:

  • Têm a mesma graduação nos dois olhos, e é raro os dois olhos precisarem exatamente do mesmo
  • Não corrigem astigmatismo, que muita gente tem sem saber
  • A distância entre os centros ópticos é padronizada e não corresponde à sua

Para ler a bula de um medicamento de vez em quando, servem. Para duas horas de leitura por dia, acabam frequentemente em dores de cabeça e cansaço — e a pessoa conclui que "os óculos não resolvem", quando o problema são aqueles óculos.

Há ainda um risco menos óbvio: quem compra na farmácia e vai andando deixa de fazer avaliações visuais. E é precisamente na mesma faixa etária que começa a importar medir a pressão intraocular todos os anos.

O que fazer

Se anda a afastar o texto, não é vaidade nem falta de luz. É a altura de fazer uma avaliação — que serve para determinar a graduação certa e, já agora, para verificar tudo o resto que se deve começar a vigiar a partir dos 40.

Na Medical Óptica ajudamos a perceber que solução se adapta melhor à sua rotina. Marque uma consulta e resolvemos isso.

Perguntas frequentes

A presbiopia pode ser evitada?

Não. É um processo natural do envelhecimento do cristalino, que vai perdendo flexibilidade ao longo da vida. Acontece a toda a gente, incluindo a quem sempre teve visão perfeita, e nenhum exercício, alimento ou suplemento a evita ou reverte.

Usar óculos de leitura acelera a presbiopia?

Não. É um mito muito comum. A presbiopia progride ao seu ritmo independentemente de usar ou não correção. O que acontece é que, depois de experimentar ler confortavelmente, o esforço de ler sem óculos torna-se mais evidente — o que dá a sensação errada de dependência.

Óculos de leitura de farmácia servem?

Resolvem temporariamente, mas têm limitações. Têm a mesma graduação nos dois olhos, não corrigem astigmatismo e a distância entre centros ópticos é padrão, não a sua. Para uso ocasional passam; para uso diário podem causar cansaço e dores de cabeça.

Cuide da sua saúde ocular

Uma avaliação visual completa é o primeiro passo para detetar alterações antes de darem sintomas. Marque a sua consulta.