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Cataratas: os primeiros sinais que passam despercebidos

As cataratas instalam-se tão devagar que muita gente se habitua a ver pior sem perceber. Conheça os sinais precoces, o que atrasa o aparecimento e quando se opera.

Medical Óptica3 min de leitura
Pessoa mais velha a olhar pela janela, com luz suave a entrar

As cataratas são provavelmente a doença ocular mais conhecida e, ao mesmo tempo, aquela cujos primeiros sinais mais passam despercebidos — porque se instalam devagar e as pessoas adaptam-se sem dar por isso.

O que é uma catarata

Dentro do olho, atrás da íris, existe uma lente natural chamada cristalino. É transparente e ajusta a focagem, permitindo ver nítido a diferentes distâncias.

Com o tempo, as proteínas que o compõem alteram-se e começam a agregar-se. O cristalino perde transparência e vai ficando opaco e amarelado.

É isso a catarata: não é uma película sobre o olho, como muita gente pensa, nem um crescimento. É a lente interna do olho a perder transparência.

A luz passa a chegar à retina dispersa e filtrada, e a visão degrada-se.

Os sinais precoces

A parte traiçoeira é que quase nenhum deles se parece com "ver mal".

Encandeamento e halos. Costuma ser o primeiro. Os faróis dos carros incomodam mais do que antes, aparecem halos à volta das luzes e custa recuperar depois de um carro passar em sentido contrário. Muita gente atribui isto aos faróis modernos e não a si própria.

Necessidade de mais luz. Passa a precisar de um candeeiro mais forte para ler o que lia com a luz do teto.

Cores menos vivas. O cristalino amarelece e filtra sobretudo os azuis. Os brancos parecem creme. Como acontece devagar e nos dois olhos, não há comparação — só se nota depois de operar um.

Mudanças frequentes de graduação. A catarata altera o poder óptico do cristalino e a graduação muda de exame para exame.

Miopia que aparece do nada depois dos 60. Chama-se miopização e é característica de um tipo de catarata. Curiosamente, algumas pessoas voltam a conseguir ler sem óculos durante um período — a chamada "segunda vista", que é sinal de problema e não de melhoria.

Visão dupla num só olho, mesmo com o outro tapado.

Visão turva ou enevoada, como olhar através de um vidro embaciado. Este é o sintoma clássico, mas costuma aparecer tarde.

Quem tem mais risco

O principal fator é a idade — a partir dos 60 anos há quase sempre algum grau de opacificação, ainda que sem sintomas.

Aceleram o processo:

  • Diabetes, sobretudo mal controlada
  • Exposição solar acumulada sem proteção ultravioleta
  • Tabagismo
  • Uso prolongado de corticoides, em qualquer forma
  • Traumatismo ocular anterior
  • Miopia elevada
  • História familiar

Há ainda cataratas congénitas, presentes à nascença, e cataratas secundárias a outras doenças oculares.

O que atrasa o aparecimento

Não existe medicamento, colírio ou suplemento que previna cataratas. Quem lhe vender isso está a vender-lhe uma ilusão.

O que há são medidas que atrasam:

  • Óculos de sol com 100% de proteção UV, usados ao longo da vida. É a medida mais eficaz e a mais fácil.
  • Não fumar.
  • Controlar a diabetes.
  • Não usar corticoides de forma prolongada sem indicação médica.
  • Alimentação rica em antioxidantes, com vegetais e fruta.

A operação

A cirurgia de cataratas é hoje das intervenções mais realizadas e com melhores resultados em toda a medicina. Retira-se o cristalino opaco e substitui-se por uma lente intraocular artificial.

É feita em ambulatório, com anestesia local, e demora tipicamente cerca de vinte minutos por olho. A recuperação visual costuma ser rápida.

Quanto ao momento: já não se espera que a catarata "amadureça", como se fazia há décadas. Opera-se quando começa a limitar a vida — conduzir com segurança, ler, trabalhar, reconhecer pessoas.

Essa decisão é do oftalmologista com o doente, e depende mais do impacto no dia a dia do que do aspeto do cristalino.

O nosso papel

O diagnóstico e a cirurgia são competência médica. O que fazemos numa ótica é detetar sinais precoces, avaliar a evolução da graduação, perceber quando as mudanças frequentes sugerem catarata em formação, e encaminhar para oftalmologia.

Enquanto a cirurgia não estiver indicada, também ajudamos a viver melhor com a situação: graduação atualizada, bom tratamento antirreflexo e aconselhamento sobre iluminação fazem uma diferença real.

Se anda a mudar de óculos com frequência, se a condução noturna se tornou desconfortável, ou se precisa de cada vez mais luz para ler, marque uma avaliação.

Perguntas frequentes

Qual é o primeiro sinal de cataratas?

Habitualmente o aumento do encandeamento e dos halos à volta das luzes, sobretudo a conduzir à noite. Costuma aparecer antes de a visão diurna ficar visivelmente turva, e por isso é frequentemente atribuído aos faróis dos outros carros em vez de ser reconhecido como sintoma.

As cataratas podem ser prevenidas?

Não há nenhum fármaco que as previna, mas há fatores que atrasam o aparecimento. Proteger os olhos da radiação ultravioleta ao longo da vida, não fumar, controlar a diabetes e evitar o uso prolongado de corticoides sem indicação médica são os mais relevantes.

Quando é que se deve operar uma catarata?

Quando começa a limitar a vida da pessoa — conduzir, ler, trabalhar, reconhecer rostos. Já não se espera que a catarata esteja madura, como antigamente. A decisão é do oftalmologista em conjunto com o doente, e assenta mais no impacto funcional do que no aspeto do cristalino.

Cuide da sua saúde ocular

Uma avaliação visual completa é o primeiro passo para detetar alterações antes de darem sintomas. Marque a sua consulta.